“Foi na Foz do Douro, a 12 de Março de 1867, que nasceu Raul Brandão. E aí, nessa terra onde e mar se juntam, há-de decorrer a infância, a mocidade e a adolescência do escritor. Filho e neto de homens do mar, o mar será também para ele um apelo sempre presente (…). Uma meteórica passagem, como ouvinte, pelo Curso Superior de Letras, em 1888, faz supor que Raul Brandão ainda tivesse pensado em seguir a chamada «carreira das letras» (…). Em Maio de 1896 é promovido a alferes, e, segundo parece, a ascenção na carreira importaria transferência. Mal sabia o escritor que ao receber guia de marcha para Guimarães o destino estava tecendo as primeiras malhas de um futuro que o prenderá até ao fim da vida, pelos laços do amor e da dedicação, à terra e às suas gentes, à cidade onde a efígie do «rei preto» assinala ter sido ali o começo de Portugal. (…) há apenas o ponto culminante deste romance de amor: o casamento de Raul Brandão com Maria Angelina, em Março de 1897, tendo ele trinta anos e ela dezanove. (…) «A noite [de 4 para 5 de Dezembro de 1930] foi dolorosa; recusava qualquer alimento que lhe oferecia e o sofrimento aumentava; (…) mas os seus lábios conservaram-se fechados, os seus olhos adormecidos e a sua boca inexpressiva…Então com ânsia aflitiva, torno a chamá-lo, mas o silêncio era o da morte…»”
…“De Raul Brandão, pois foi dele que tentámos falar se poderia dizer o que ele maravilhosamente disse de sua mãe: gastou-se a sonhar. Alguns dos seus sonhos são ainda os nossos – eis porque está tão vivo no nosso coração.”…
CASTILHO, Guilherme de – Vida e Obra de Raul Brandão. Lisboa: Livraria Bertrand, 1978, p. [11], [17], 28, [29], 34, 91, 94.
ANDRADE, Eugénio de – Quase uma glosa. P. 51 In Raul Brandão: Homenagem no seu Centenário. Guimarães: Circulo de Arte e Recreio, 1967, 117 p.












