NOBRE, António. Escritor (1867 - 1900).
“Nasceu no Porto, em 1867, morreu tuberculoso, na Foz do Douro, em 1900, depois de ter, em vão, buscado recobrar a saúde em viagens à Suiça, Madeira e Nova Iorque. Da sua infância transmontana e poveira, sobre a qual levou dobrada uma longa adolescência, ficou-lhe para sempre egolátrica nostalgia. Tempo da vida livre, em que ele fora o príncipe de todas as homenagens e carinhos, a sua poesia de passado e rememora, com espontânea, e ao mesmo tempo sábia, delícia, sobre o vazio de um presente sempre agressivo e desdenhado. Estudante, só na sua «torre» em Coimbra, na «época sinistra» em que ali cursou Direito, ele se sentia bem. (…) Tinha A. N. um ouvido finíssimo. Toda a sua poesia é rigorosamente feita para se ouvir, cheia de paralelismos, de repetições melódicas, de onomatopeias, em extremo maleável. Nela a própria divisão silábica depende de um ritmo que obedece ao sentimento. (…)
Além do Só (v.) (Paris, 1892) vieram a lume postumamente dois outros livros de A. N.: Despedidas (1.ª ed., 1902), com um fragmento de «O Desejado», poema lírico-sebastianista de ambição épica, e Primeiros Versos (1.ª ed., 1921). A correspondência de A. N. está reunida em vários volumes: Cartas Inéditas de A. N. com introd. e notas por A. Casais Monteiro, Coimbra, 1934; Cartas e Bilhetes-Postais a Justino de Montalvão com pref. E notas por Alberto de Serpa, Porto, 1956; Correspondência, com introd. E notas por Guilherme de Castilho, Lisboa, 1967 (colecção de 244 cartas, 56 das quais totalmente inéditas). V. Morte, Simbolismo, Neogarretismo.
Dicionário de Literatura: literatura portuguesa: literatura brasileira: literatura galega: estilística literária. 4ª ed. Porto: Figueirinhas, 1990. 3º vol, N/R. p. 731, 732.











