Naquela manhã chuvosa e fria, ou não estivéssemos nós em Novembro e cheirando já aos preparativos das Nicolinas, as turmas do 9º ano, euforicamente, entravam nos autocarros rumo à cidade berço e futura capital europeia da cultura.
Já no autocarro, a Bé e o Toni pulavam de entusiasmo, pois era um dia sem actividades lectivas.
- Já viste?! A nossa cidade é bué de fixe! – disse o Toni ,olhando pelas vidraças do autocarro.
- Ya, tens razão, ainda bem que o Conquistador se zangou com a mãe! – retorquiu a Bé.
- Desliga o teu MP4 – ordenou a Marta ao Afonso – Já estamos a chegar ao centro histórico.
Após a saída do autocarro e, já no Campo da Feira, a Maria relembrou:
- Sendo sexta-feira 13, será que vamos encontrar o fantasma de D.Teresa a querer vingar-se do filho?
- Não sejas parva! – riram-se todos em uníssono.
Interveio, seriamente, o professor João:
- O que nós vamos ver, são factos históricos e uma exposição alusiva à Restauração da República, por isso, portem-se bem e estejam atentos que no final têm o relatório da visita de estudo.
- Hei… que seca! – exclamou o Gui – e eu que estava à espera de me divertir.
- És sempre o mesmo, não sabes ver a importância dos conteúdos históricos para a nossa cultura. – explicou a mais inteligente e a marrona da turma, a Leonor.
- É pá, relaxa pelo menos hoje! Faz como eu, vive a vida. – responde-lhe o Gui.
Entretanto, sem se aperceberem, já estavam às portas do museu Alberto Sampaio, cujo guia, impaciente e carrancudo, os esperava.
Após as devidas apresentações, seriamente afirmou:
- Vocês, que são os entendidos das novas tecnologias, já devem saber que tudo tem de estar desligado desde o telemóvel à PSP, inclusive, em algumas das salas, é proibido fotografar. Mais à frente dir-vos-ei se podem ou não fotografar.
- Olha este, já pensa que é o meu pai! – murmurou Gui, o contestatário.
- Cala-te e ouve. - retorquiu a Leonor.
O professor interrompeu a discussão e pediu a todos que se calassem para que a visita prosseguisse.
E assim foi. Uns, muito entusiasmados e curiosos, outros, mais aluados lá iam ouvindo o que o guia tinha para dizer.
De repente, até os mais distraídos mudaram de semblante. Tinham chegado a uma sala diferente de todas as outras: a sala do Tempo. Chamava-se assim, porque tinha em exposição uma máquina que outrora fizera as delícias de muitos cientistas: a Máquina do Tempo.
- Ena, que maquinão, nem o Mercedes do meu pai lhe dá luta. – disse o Gui boquiaberto.
- Podes crer, não a trocava nem por um Ferrari! E se entrássemos? – sussurrou o Toni, porque tinha ouvido o guia dizer que era absolutamente proibido mexer na máquina.
- Estás louco? Sabes que não podemos… mas que era fixe, lá isso era. – respondeu a Maria que ouvira a conversa.
A visita continuara, mas a curiosidade do grupo mais traquina permanecera.
Queriam saber mais sobre a máquina. Sem que o professor se apercebesse, ficaram para trás e voltaram à sala do Tempo.
A Leonor apercebeu-se que a turma estava incompleta e voltou atrás para os procurar. Entretanto, ouviu um burburinho na sala do Tempo e entrou para ver se eram os colegas. Eram mesmo eles!
- Vocês são loucos? Não podem estar aí!
Eles assustaram-se tanto que o Afonso, sem querer, puxou a alavanca e accionou a máquina que desapareceu a grande velocidade. Instalou-se o pânico…
- Que foi isto? Que está a acontecer? – perguntou a Marta cheia de medo.
- Eu avisei! Quero o professor e o resto da turma! – gritou a Leonor, completamente histérica.
- Cala-te! – responderam os outros em uníssono.
De repente, a máquina parou. Instalou-se um silêncio aterrador.
A Bé encheu-se de coragem e abriu a porta. O silêncio deu lugar a um barulho ensurdecedor.
- O que… é…isto? – balbuciou a Bé – ve…ve…venham… ver!
Quando os colegas se aproximaram da porta depararam-se com uma multidão que euforicamente gritava “Viva a República!”, “Viva a República!”.
Tudo era estranho, as pessoas, as roupas, até as casas. Parecia que estávamos noutra cidade e tínhamos retrocedido no tempo!
Perante a incredulidade do que estavam a assistir, resolveram sair da Máquina do Tempo e pedir a algum transeunte que lhes desse informações precisas sobre o que se passava. Mais uma vez a Bé demonstrou a sua audácia e resolveu perguntar a uma jovem mulher, que gritava a plenos pulmões “Vivas à República”.
- Desculpe, podia dizer-me o que se passa!?
- Ah! Não sabes?! Hoje, 5 de Outubro de 1910, deu-se início à República, livramo-nos da velha e decadente monarquia, por isso, divirtam-se!
Naquele espaço de tempo, o grupo de jovens apercebeu-se que tinha recuado no tempo, até ao século XX, mais propriamente ao ano de 1910 e que se encontrava no meio das aclamações da Implantação da República, em plena cidade de Lisboa.
Constatando, nesse momento, a confusão em que estavam metidos, resolveram reunir-se para pensarem numa estratégia que os pudesse tirar daquela situação. No entanto, a primeira ideia que lhes veio à cabeça foi a de conhecer melhor os meandros da “revolução”, perceber, no meio daquela multidão, os sentimentos mais profundos da população pela mudança de Regime e se todos estavam de acordo com as mudanças instituídas pelos republicanos ou se havia ainda alguns vestígios de ideais monárquicos.
A Leonor, a mais medrosa do grupo, mas ao mesmo tempo a mais inteligente, pelo menos aquela que tinha melhores resultados, resolveu intervir, dizendo:
- Afinal, espertalhões, estamos todos metidos num grande sarilho! Deveríamos, acima de tudo, preocuparmo-nos em pôr a Máquina do Tempo a funcionar e em regressarmos, o mais rapidamente possível, para a exposição do Centenário da Implantação da República, antes que alguém dê pela nossa falta.
- Deixa de ser medricas! retorquiu o Gui, o contestatário. – vamos é aproveitar este momento único. Achas que viajar no tempo acontece todos os dias?
- Calem-se os dois. Temos é que nos misturar com a população, tentando passar despercebidos, para conhecermos melhor e, na primeira pessoa, o que deu origem a esta mudança radical de regime. – afirmou com determinação a Maria.
Entretanto, o Toni resolveu estabelecer a ordem, dizendo:
- Antes de voltarmos novamente ao Museu Alberto Sampaio, em Guimarães e ao século XXI, aproveitemos para rever, no espaço e no tempo, a matéria de História do 9º ano sobre o Ultimato Inglês, a ditadura de João Franco, a morte do Rei D. Carlos e do Príncipe herdeiro, D. Luís Filipe; a sucessão de D. Manuel II, a queda da monarquia e consequente partida para o exílio do rei, até à Implantação da República. Assim, compreenderemos melhor o pensamento destas pessoas e desta época.
Depois desta intervenção, o grupo de jovens concordou com esta proposta por unanimidade, estabeleceu as regras de conduta, de forma a não se afastarem uns dos outros e a permanecerem sempre juntos. Deste modo, quando resolvessem pôr a Máquina do Tempo a funcionar e estabelecessem a ordem de partida, o grupo estaria todo reunido.
Todos concordaram em relembrar os conteúdos programáticos leccionados pelo professor João, nas aulas de História, e pensar no roteiro da Implantação da República.
- Então, vamos lá ver de que nos lembramos! Eu sei que a revolução propriamente dita teve início na madrugada de 4 de Outubro de 1910. – começou a Marta.
- Esta iniciou-se num dos quartéis de Lisboa, comandada por sargentos e alferes de baixa patente e que depois se alastrou por vários locais da cidade: Alcântara, a Rotunda, o Rossio, entre outros… – prosseguiu a Leonor. – E teve também a colaboração de milícias populares, descontentes com o regime vigente.
- Sabem que mais! Ainda não são dez horas da manhã. E se fossemos até à Câmara Municipal aqui de Lisboa ouvir o discurso da Implantação da República feito pelo próprio José Relvas. Estou curioso em saber o que é que ele vai dizer. – sugeriu o Afonso.
Tendo em conta que já eram quase dez horas da manhã e que o tempo começava a escassear, o grupo concordou em deslocar-se, de imediato, para a Câmara Municipal para assistir pessoalmente ao discurso de José Relvas.
Todavia era preciso saber exactamente em que local da cidade de Lisboa se encontravam, já que a topografia da mesma tinha sofrido bastantes alterações e o grupo conhecia vagamente a Lisboa do século XXI, pois, a maioria dos jovens só lá tinha estado em passeio com os pais e/ou em visita de estudo.
Depois de alguma hesitação, resolveram perguntar, novamente, às pessoas que festejavam nas ruas, onde era a Câmara Municipal. Desta vez, a oportunidade caiu nas mãos da Marta, adolescente responsável e pacata, mas que gostava de uma boa aventura e não fugia a nenhum desafio.
- Bom dia… – disse Marta hesitante. – Desculpe… eu e os meus amigos estamos meios perdidos… pode por favor informar-nos em que parte de Lisboa nos situamos?
- Claro… encontram-se precisamente no Terreiro do Paço. – declarou o senhor sorrindo com os dentes amarelos.
- Onde… onde o rei e o príncipe herdeiro foram mortos? – perguntou Marta em êxtase enquanto os outros punham as orelhas à escuta.
- Exactamente. Calaram-se todos perante aquela informação… uau… o terreiro do paço, dois anos antes tinha havido ali duas mortes, talvez causadas pela Carbonária ou outro grupo secreto talvez, pelo menos era o que o professor João lhes havia dito numa aula em que todos estavam interessados. Era mesmo assim, onde exista luta existe sempre uma plateia com ouvidos bem abertos.
- Obrigada… pode informar-nos a direcção correcta para a câmara municipal? – perguntou ela.
- Claro... O senhor explicou-lhes porque caminhos deviam seguir.
Aquilo era estranho… tudo era diferente dos dias de hoje, as roupas que aquela gente usava, a maneira como todos conheciam todos e como todos se cumprimentavam alegremente. Não parecia nada que ainda estivessem a sofrer por causa daquelas mortes! Na verdade, tanto a Bé como os restantes estavam a imaginar-se ali no dia da morte do rei e do príncipe herdeiro do trono… uma enorme multidão, trombetas a tocar, cavalos brancos, guardas com armaduras prateadas brilhantes, bandeiras a serem agitadas pela multidão que gritava saudações, uma carpete vermelha por baixo do coche de ouro e talvez, quem sabe, um bolito ou outro guardado debaixo do assento.
- “Isso vinha mesmo a calhar” pensou Toni “Estava esfomeado!” – quando, vindo do nada, dois tiros certeiros… já não havia rei nem príncipe e a Republica ia passar á acção finalmente.
- Pessoal, e se fossemos comer alguma coisa… estou cá com uma gana. – disse Gui.
- Eu também acho. – concordou Toni imediatamente com a barriga a roncar.
- Depois não ouvimos o discurso. – disse Leonor.
- Ainda temos imenso tempo… e se fossemos comer uns bolinhos? – sugeriu a Bé piscando o olho a Toni que se riu. Não havia dia em que Bé não desse para trás a Leonor.
O grupo entrou numa espécie de café quase todo feito em madeira e onde existiam pessoas a tocar viola e mulheres com corpetes e espartilhos apertados como tudo a servirem ás mesas – todos se admiraram como é que as mulheres podiam respirar. Na mesa ao lado deles estavam dois homens com barba (ou seriam duas mulheres) a conversar secretamente com cabeças inclinadas sobre uma vela.
- Finalmente… pessoalmente a monarquia já me estava a deixar enjoado. Todos a fazer o que o rei mandava, sinceramente estamos muito melhores assim, com a futura Republica. – comentou o homem mais junto á janela.
- Concordo, vamos a ver se o país anda para a frente. Estou farto de miséria.
A conversa continuou durante mais algum tempo e o grupo escutava-os atentamente. Bolas, estavam mesmo chateados com os reis… mais do que o professor João insinuara.
Finalmente, Leonor e Marta acharam que era hora de se porem a andar: Ainda faltava um pedaço para a Câmara Municipal e se não se começavam a mexer não iam ouvir o discurso. Durante o caminho os amigos iam a conversar alegremente. Não pensavam nem um segundo como iriam voltar para casa, ali, com a barriga cheia e com os olhos bem abertos face a tantas novidades inesperadas, todos se riam e brincavam uns com os outros perguntando-se o que iriam ver a seguir. Quando chegaram finalmente à câmara municipal encontraram um aglomerado de pessoas com uma bandeirinhas nas mãos a serem agitadas e todas juntas a olharem para a varanda onde dali a dois minutos entravam dois homens muito bem apresentados a olharem para as pessoas com os olhos brilhantes e com um sorriso nas faces.
- Vai começar. – declarou Bé entusiasmada passados uns minutos. Toda a plateia chegara à mesma conclusão e por isso fizera-se silêncio absoluto e todos fixavam os homens muito interessados pelo discurso que se ia seguir.
- Viva a República… de hoje em diante seremos um país livre. – começou o homem que estava mais á frente. – Começamos hoje a sentir verdadeiramente o que é ser um Português, a ter orgulho no nosso país. Outrora não podíamos votar nas pessoas que governavam o nosso país, isso mudou meus amigos! Agora iremos ter uma nova bandeira, uma nova moeda, uma nova maneira de ser e pensar e apenas temos que acreditar que para os Portugueses tudo é possível pois quem é que acreditaria que era possível derrubar a monarquia? Ninguém. Mas agora, todos temos esse poder, derrubar o partido que não seja digno de nos governar. O Partido Republicano vai agora honrar esse compromisso. Vamos governar Portugal de maneira sensata. Viva a República meus amigos…. Viva a República!
- Viva! – aclamou a multidão em coro.
- Viva! Bé e os amigos olharam uns para os outros. Sim, o homem convencera toda a gente que o partido Republicano era o melhor para Portugal, até a eles convencera, mas, na verdade a instabilidade política que se ia seguir ia ser uma tragédia, isso e as revoltas dentro do próprio partido republicano… na verdade todos eles ansiavam por ver essa parte, mesmo Leonor, adoraria ver os ministros em discussões estéreis dentro da Assembleia que algumas vezes chegaram a vias de facto. Ia mesmo dar para rir.
Mas havia algo mais que eles pretendiam fazer antes de acabar o seu tempo no passado. Falar com o Rei, claro! Uau! Que espectáculo seria poder falar com ele! – pensou cada um no seu íntimo.
A primeira sugestão foi a da Bé. Que grande ideia que ela teve! Sugeriu que trocassem de roupa, pois com aquelas indumentárias eram olhados como estranhos. Afinal, era o que eram ali. Caminharam, caminharam, caminharam… e só ouviam gritar “Viva a República”, “Viva a República”, parecia que estavam a viver um sonho; mas o contestatário do Gui fez uma grande asneira! Começou a gritar lá no meio: “Abaixo a República!” Resultado: ficaram todos contra eles e, ainda por cima, naqueles trajes… Os defensores das ideias republicanas ordenaram, portanto, que os levassem presos, para o convento de Mafra.
Depois de uma freira os trancar num quarto, começou a discussão:
- Que pesadelo! Tudo isto por tua causa! – acusou a Marta mal-humorada.
- Vê pelo lado positivo. Assim, temos tratamento principesco – referiu o Gui, brincando com a situação.
Todos se riram, a Leonor, porém, com um ar sério alertou para a realidade:
- Como vamos sair desta trapalhada?
- Eu não sei… Só quero a minha mamã… – choramingou a Marta.
- Ei! Não sejas criança! Tamos todos no mesmo barco e vamos bazar daqui – repreendeu a Bé com um ar adulto.
Nisto, rabujou a freira:
- Pouco barulho! O guarda do convento vem visitar-vos. Diz que quer conhecer os clandestinos que alegam não gostar da República.
O guarda entrou. Percorria o grupo com os olhos… Nem palavra! Tinha uma cara sinistra. Virou costas em direcção à porta. O Toni prontamente preveniu:
- Tenha a delicadeza de pensar nas nossas necessidades básicas.
- Ha, ha, ha, ha… – riu-se o guarda com um riso aterrador, batendo a porta de seguida.
- Pelos vistos… não vamos almoçar… – observou o Afonso, dando graças por já terem comido uns bolitos.
Pouco depois de a porta se fechar, rangeu outra ao lado e, logo a seguir, ouviram vozes:
- A situação neste país está a ficar insustentável.
- Vossa Majestade tem toda a razão.
- O rei está no quarto ao lado! – irrompeu a Leonor estupefacta.
- Como sabes que é o rei? – perguntou o Afonso.
- Não sei bem, mas, como falaram em “Vossa Majestade”, tenho quase a certeza.
- Vamos já ficar a saber. – replicou o Gui.
- Não faças asneiras, outra vez! – advertiu a Bé.
- Olha que o guarda está algures por aqui … – acrescentou a Marta tremelicando.
De repente, o Gui desatou a gritar:
- Socoooorro!
O grito foi ignorado. A conversa na cela ao lado continuou. O grupo de jovens curiosos pregou os ouvidos à parede.
Sobrelevam-se de imediato uns sons agudos… Era uma voz feminina:
- Se o país está neste estado, porque não nos retiramos para França, uma vez que é o meu país de origem? Com toda a certeza seremos bem recebidos.
- Rainha-mãe Amélia, França é uma república e nós estamos com dificuldades cá, por causa dos republicanos!
- Desculpem interromper, mas o melhor destino seria o Brasil, é uma ex-colónia nossa onde se fala português. – sugeriu D. Maria Pia.
- Talvez seja verdade, porém, causámos má impressão ao presidente que esteve cá e, ao ver a revolta dos republicanos, se foi embora. Certamente ficou a pensar que nós nem o nosso país conseguimos governar e que seríamos uma má influência para o seu, se fôssemos para lá viver.
- Ei, senhor, nós podemos ajudar! – berrou o Gui cheio de coragem.
- Que se passa na cela ao lado? – perguntou o rei ao guarda.
- São uns miúdos que foram encontrados sozinhos e geraram confusão entre os revoltosos, ao declararem não apoiar a República.
- Mande-os vir aos meus aposentos – ordenou o rei, fechando a porta de seguida.
“Por favor … não custava nada!” pensou o guarda. E, abrindo a porta da cela onde estava o grupo, informou:
- O rei quer ver-vos. Acompanhem-me!
- Ei, consegui! Já vamos falar com o rei! – exclamou o Gui.
Ao entrar nos aposentos do rei, este questionou:
- Em que é que vós, meus humildes jovens, me podeis ajudar?
- Podemos ajudá-lo a decidir o local de exílio… – balbuciou a Leonor.
- Como sabem que vamos recorrer ao exílio?
- Nós somos do Fu…
- Funchal – mentiu o Afonso, interrompendo e mandando uma forte cotovelada ao Gui para salvar a situação.
- Voltando ao assunto: nós sabemos que a família real está a pensar no exílio, porque os ouvimos falar. – esclareceu a Leonor.
- Nós recomendamos que Sua Majestade vá para Inglaterra, tomando uma rota a partir de Gibraltar – aconselhou a Marta.
- E porquê Inglaterra? – indagou D. Maria Pia.
- Minha cara, Inglaterra é uma excelente ideia, porque não pensei nesta hipótese mais cedo! – confessou o rei – Inglaterra é uma grande potência mundial! A sua cultura fascina-me e, para além disso, as nossas relações com a corte inglesa são bastante amistosas.
- Exactamente. – afirmaram todos numa só voz.
- Está decidido: ainda hoje partimos para Gibraltar! – concluiu assim o Rei D. Manuel II.
– E nós também vamos? – perguntou o Afonso, com alguma apreensão.
– Nem penses, eu quero é ir para casa! Chama um táxi! – choramingou a Marta.
– Ó inteligência rara, não há táxis nesta altura! – adiantou o Toni.
– Nós vamos com a corte e acabou! – rematou o João.
– Não, ninguém vai! Eu quero um táxi! – desabafou Marta, cada vez mais preocupada, e chamou:
– Táxi! Táxi!
– O que é isso? – quis saber, confuso, o rei D. Manuel II.
– É um... – tentou explicar a Bé.
– Não te incomodes, não precisas de me explicar. Tenho que arrumar as minhas coisas para me ir embora, e rápido! – disse o rei. E adiantou:
– Fujam, estão livres!
O rei D. Manuel apressou-se a sair da sala para ir arrumar os seus haveres.
– Temos que arranjar uma maneira de ir com eles. – referiu o Gui.
– Sim, mas primeiro é melhor irmos mudar de roupa para passarmos despercebidos. – aconselhou a Leonor.
– Está bem, e onde vamos arranjar as roupas? – disse a Maria.
– Que tal procurarmos nos quartos? – sugeriu o Toni.
– E se somos apanhados? – retorquiu a Marta, que permanecia receosa.
– Oh, não sejas medricas! – contestou a Bé, empolgada.
Conseguiram então convencer a Marta a ir com eles e, assim, percorrendo os longos corredores do convento foram procurando lugares onde encontrassem vestes apropriadas. As raparigas ficaram-se pela ala da rainha. Nos vários aposentos foram abrindo baús e descobrindo peças de vestuário que já só pensavam existir no mundo das bonecas.
– Que fixe! – exclamou a Maria – Isto é bué de giro! Estas rendas são fantásticas!
– São, são! – ironizou a Marta – Recuso-me a vestir tal coisa! Não estamos no Carnaval!
– Pois não! – respondeu a Leonor – Estamos em 1910, e tens sorte porque são roupas da corte, alta-costura! Não queiras experimentar as do povo.
– Quero lá saber! Eu é que não tiro as minhas a calças de ganga! São da Levi’s! Não as deixo nem por nada!
– Ok, tudo bem! – exclamou a Bé, já sem paciência – Vestes o vestido por cima.
Enquanto as meninas trocavam as roupas, os rapazes, bem mais práticos, já estavam prontos e a planear como seguiriam o rei.
– Roubamos uns cavalos e, simplesmente, seguimo-los! – disse convicto o Afonso.
– Tás tolo! – retorquiu o João – Pensas que sei andar a cavalo?
O Toni, que era observador, interveio, certo de que tinha a solução:
– Eles têm carros! Eu vi vários quando nos trouxeram! Usamos um deles!
– Cool! – disse o Gui – carjaking em 1910. Espero que sejam umas bombas! Posso guiar eu?
– Gostei da ideia! Vamos ter com as miúdas! – concordou o Afonso, entusiasmado.
– Com um bocado de sorte, ainda não estão prontas, são miúdas !!! – resmungou o Gui.
Estava errado. Encontraram-nas já a encaminharem-se para as escadas.
Pareciam saídas de um filme da Walt Disney: lindas! Tal e qual princesas! É claro que um olhar mais atento revelava um anacronismo: usavam sapatilhas!
– É mais prático para fugir! – tinha afirmado a Marta. As outras haviam concordado.
Postas a par do plano dos rapazes, seguiram todos para o exterior, o mais silenciosamente possível.
Estavam, precisamente, o rei e a família a sair em direcção à Ericeira.
Sorrateiramente, entraram para o último dos carros e o Gui, sentando-se ao volante, tentou ligá-lo.
– Oh! Oh! Problemas…. Não há chave! Nem sequer ignição, como ligo isto?
– Caramba, sou rapariga e sei, estes carros ligam-se à frente com uma manivela. Anda comigo, Afonso, eu mostro-te. – disse a desenrascada da Leonor.
Assim, após alguns minutos de esforço, ouviu-se o roncar do motor, para alívio de todos e, aos ziguezagues, porque afinal a experiência de condução do Gui se limitava à Playstation, seguiram com uma respeitável distância o cortejo real.
Quando finalmente chegaram à praia da Ericeira, já a família real e a sua comitiva, juntamente com um pequeno grupo, se dirigiam para as canoas dos pescadores preparando-se para embarcar no iate D. Amélia atracado ao largo.
Curioso, o nosso grupo estacou, emocionado, observando a cena. À frente, a rainha D. Maria Pia, pelo braço do Senhor Conde de Mesquitella, seguida de senhoras das famílias Castro Pereira e Nuno Pombal, o Senhor Serrão Franco, Conde de Marim. Depois, a Rainha D. Amélia, o Conde de Sabugosa, o ainda rei D. Manuel II, Dona Maria Francisca de Menezes, o senhor José de Mello Waddington, o Tenente Feijó Teixeira, o Marquês de Fayal, Vellez Caldeira, a Condensa de Figueiró, a Marquesa de União e duas criadas. De repente, surge mais um vulto! Era o criado particular de D. Manuel II, que estava em Caxias quando começou o bombardeamento no Palácio das Necessidades e que se apressou a apresentar-se a D. Manuel II, acabando também por embarcar rumo ao exílio.
Foi quase com lágrimas nos olhos que os nossos protagonistas assistiram a todo o decorrer da cena, sentindo um arrepio ao aperceberem-se que estavam a assistir ao vivo a um marco histórico: D. Manuel II na barca do Bonfim a afastar-se mar adentro. Era mesmo o fim da monarquia…
Estes pensamentos foram interrompidos pela chegada inesperada de um carro, de onde saiu um grupo armado, com carabinas e bombas, com claras intenções de atirar contra a família real. Seguiu-se o pânico!
Apanhados de surpresa e aterrorizados, – afinal o século XX é perigoso – os nossos amigos encaminharam-se apressadamente para o carro, arrancaram e fugiram o mais rapidamente possível.
Quando viram que o perigo já tinha passado, o Gui parou o carro e disse:
– Ufa! Foi por pouco!
– E agora? – perguntou a Marta.
Já no seu iate, D. Manuel II deambulava no seu camarote longe de alcançar a tranquilidade desejada. O seu rosto pálido, espelhando a turbulência dos tempos vividos, contrastava com o fato escuro e formal que envergava. Inconformado com a necessidade fatal de abandonar a pátria, mandou chamar o seu secretário.
- Sua Alteza, mandou chamar-me?
- Sim, preciso que me redija uma carta.
Depois das saudações formais, ditou umas breves mas expressivas palavras:
“Meu caro Teixeira de Sousa.
Forçado pelas circunstâncias vejo-me obrigado a embarcar no yatch real "Amélia". Sou português e sê-lo-ei sempre. Tenho a convicção de ter cumprido o meu dever de Rei em todas as circunstâncias e de ter posto o meu coração e a minha vida ao serviço do meu País. Espero que ele, convicto dos meus direitos e da minha dedicação, o saiba reconhecer!
Viva Portugal!
Dê a esta carta a publicidade que puder.
Sempre mº afectuosamente
Manuel R.
yatch real "Amélia" - 5 de Outubro de 1910.”
Depois de se certificar que a carta chegaria ao seu destino, o rei fez saber que queria ir para o Porto.
Ouvindo Sua Majestade atentamente, os oficiais, também embarcados na comitiva real, lembraram os perigos desse desejo.
- Majestade, uma ida para o Porto não será bem sucedida. Não nos podemos esquecer que foi aí que se deu a primeira tentativa para implantar a República.
- Sim, meu caro Moreira de Sá, não devemos esquecer isso, mas, com as devidas precauções, tenho a certeza que nada de mal acontecerá.
Atento às palavras de Sua Majestade, o comandante João Agnelo Velez Caldeira Castelo Branco opôs-se à opinião do soberano, alegando que se o Porto não os recebesse o navio dificilmente teria combustível para chegar a outro ancoradouro.
D. Manuel, inconformado, insistia.
Perante a insistência do monarca, o imediato, João Jorge Moreira de Sá, argumentou que levavam a bordo toda a família real pelo que era seu primeiro dever salvar essas vidas.
Depois de alguma ponderação, por questões familiares e equacionada a possibilidade de Inglaterra, optaram por fazer escala em Gibraltar.
A instabilidade dos espíritos no mar, não era muito diferente da dos da terra.
Ainda atónitos em relação a tudo aquilo a que tinham assistido, os colegas de turma que haviam acompanhado o professor João à visita de estudo seguiam, agora mais devagar, em direcção a Lisboa.
Leonor e Marta, ainda a tremer, mantinham-se de mãos dadas.
- Que medo… não esperava ver aqueles homens armados…
- Interessante! -exclamava o Gui ainda eufórico.
- Isto foi completamente alucinante – completou o Toni.
- Ufa! Parece uma aventura.
- Precisamos de encontrar a máquina do tempo, o professor João já deve ter dado pela nossa falta – sugere a Maria, chamando os amigos para a realidade.
Depois de algum tempo de viagem, chegaram a Lisboa, e, passado poucos instantes, encontravam-se numa rua onde se lia na placa “Avenida da Liberdade. O movimento de pessoas era reduzido. Gui parou o carro e todos saíram. Eram ainda visíveis sinais de destruição: bancos de jardim voltados ao contrário, grandes pedaços de madeira e chapas de zinco perdidas pelo chão.
Olhando tudo à sua volta perguntou o João:
- O que é que se passou aqui?
Mais uma vez, Leonor, considerada a mais inteligente, apercebeu-se, com maior rigor, do local onde estavam:
- Então, foi aqui que os Republicanos montaram a barricada para se abrigarem durante o tiroteio das forças fiéis à monarquia.
- Já me lembro, diz o Afonso. O professor disse que a maior parte dos que aqui lutaram eram populares.
De repente, ouviu-se ao longe uma rajada de tiros.
Assustados e confusos, os jovens começaram a correr tentando encontrar um refúgio abrigado. Avistaram uma livraria que se encontrava aberta, e, apesar do lusco-fusco, decidiram entrar.
Entraram. Lá dentro reinava o silêncio, a quase escuridão e o cheiro intenso a livros. As estantes repletas não se assemelhavam às livrarias que conheciam. Mais parecia um museu. No balcão encontrava-se um senhor, de óculos na ponta do nariz, com um bigode e pêra bem aparados.
Vencida a timidez e a hesitação, os jovens saudaram com cortesia o livreiro e perguntaram-lhe a que se devia a desordem da cidade.
- A perseguição aos padres e às freiras está na ordem do dia – respondeu o livreiro com um ar de reprovação.
O barulho que se ouvia no exterior impediu o livreiro de continuar a sua explicação e conduziu os colegas para a janela.
Ao longe viram um sujeito vestido de escuro, de cara rapada (o que não era comum nesses dias), a ser arrastado até um grupo de lanceiros, com os pulsos atados por uma corda.
O Afonso, a Leonor; a Marta e o Toni entreolharam-se, cada vez mais apreensivos.
- Como vamos sair daqui? Perguntava entre soluços a Leonor.
- Tem calma…iremos conseguir - tentava acalmá-la o Toni.
- Sempre conseguimos resolver as nossas embrulhadas… – tentava convencer o Gui.
Nesse momento de pânico, pensando já não conseguir chegar a casa e ao Presente todos se juntaram a pensar para tentarem encontrar alguma maneira de encontrar a tal Máquina do Tempo, de forma a sair daquele tempo de mudança e instabilidade político-governativa, que se tinha instalado no país. Excepto o João, que andava todo entusiasmado a ver livros de Ciência na biblioteca. Realmente a Ciência, naquela época, estava em fase de iniciação. Um livro muito antigo chamou a atenção do João, era verde e azul e tinha umas letras amarelas, já gastas, que formavam palavras. Quando pegou nesse livro, algo lhe caiu do meio dele. Era uma folha de papel, já antiga, com um mapa desenhado. -Descobri, descobri! – Exclamou o João correndo para junto dos amigos. Aquele papel tinha desenhado o mapa do local onde se encontrava a máquina do tempo. A Leonor logo pediu a folha ao João e pensou: “ Como não pensei logo? Viajei no tempo para vir, viajo no tempo para ir!”. Todos ficaram perplexos quando perceberam que deviam estar no lugar onde se encontrava a máquina do Tempo, na biblioteca. A Bé e o Afonso, muito educados, dirigiram-se a um senhor que se encontrava no balcão.
- Olhe, desculpe, nós precisamos da sua ajuda! Será possível?
- Em que lhes posso ser útil? – Perguntou o senhor do balcão, que se chamava António. - Eu e os meus amigos descobrimos, num dos livros da estante da Ciência, uma folha de papel, com um mapa do local onde podemos encontrar a máquina do tempo. E … -Já sei! Querem ajuda para encontrá-la! Sigam-me que conheço alguém que vos pode ajudar. – Interrompeu o senhor António. Encaminhou-os para junto do livreiro. O livreiro, vendo-os aproximarem-se, enquanto os outros se encaminhavam para uma das prateleiras mais altas com os livros mais imponentes que já alguma vira, perguntou, num tom de voz misto de altivez e curiosidade:
- O que procuram?
Afonso, um pouco a medo, mas convicto de uma forma estranha de que o livreiro os poderia ajudar, respondeu:
- Estou decidido a encontrar uma forma de nos tirar desta embrulhada. Acha que nos pode ajudar?
Todos se entreolhavam intensamente à procura de algum pensamento ou ideia que os pudesse guiar até ao Presente, perguntando-se se o livreiro conheceria alguma maneira de os auxiliar.
O livreiro permanecia parado no mesmo lugar, sem mexer um músculo, até que, pareceu sorrir.
- Qual é a piada? Nós estamos presos aqui, nesta bagunça, sem conseguir regressar à actualidade! Qual é a piada disso, hã? – Disse Bé, num estado de descontrolo e ansiedade.
- Acalma-te! – Disse Toni. – Assim não vamos a lado nenhum! Temos que nos concentrar e pensar numa solução, juntos! – Tentou ele acalmar.
- Há ou não uma maneira de nos ajudar? Tenho saudades da tecnologia e estas roupas fazem-me parecer dez anos mais velha! – Disse Leonor, um pouco mais calma, mas igualmente apreensiva.
O livreiro assentiu e levou-os, por um túnel sujo debaixo da velha livraria, até a uma sala que lhes era familiar. Era parecida com a sala do Tempo e a máquina que os levaria de volta à actualidade, mas com teias de aranha penduradas do tecto e nas paredes. Provavelmente, não seriam os primeiros passageiros daquela “locomotiva temporal” que podia levar qualquer um para qualquer período histórico.
- Como… é que… fez isso? – Perguntou Maria incrédula com o que acabara de acontecer. – Ainda agora…
Maria foi interrompida por uma pequena explosão vinda de dentro da máquina e que fez com que todos os presentes dessem um salto para trás.
- Mais surpresas? – Questionou Marta.
- Pois… Esqueci-me de dizer que a partir do momento em que entrámos por aquela porta, o tempo entrou em contagem decrescente e têm exactamente 1,36 minutos para entrar na máquina e regressar ao lugar onde pertencem – disse o livreiro, de uma forma um pouco misteriosa.
- Mas… -interveio Toni.
- Agora! – Exclamou o livreiro, uma oitava acima, para se fazer ouvir.
- Vamos sentir falta disto… - disse Leonor num tom melancólico.
- Vai ser como se nunca tivessem estado aqui. Agora vão! – Despediu-se assim, o livreiro.
Todos os amigos entraram na máquina do Tempo e rezaram para que a viagem corresse bem, mas quando deram por isso, estavam de volta ao que se podia chamar de Presente aborrecido, onde nenhuma revolução ou tumulto se estava a passar. Tudo estava exactamente igual, incluindo o relógio que marcava fielmente as mesmas horas de quando eles decidiram embarcar naquela aventura memorável.
De rompante, o professor entrou na sala a resmungar, dizendo que o sentido de responsabilidade dos seus alunos não era merecedor da sua confiança, de forma a que aquela seria a última visita de estudo que teriam nesse ano.
Já no autocarro, num grupo praticamente inseparável, os amigos murmuravam:
- Nunca mais vou esquecer este dia! – Disse a Bé.
-Valeu a pena ser esta a nossa última visita de estudo! Vale por todas! – Afirmou Gui de uma forma tão exuberante e ruidosa que chamou a atenção de todos os que seguiam no autocarro. Ao que retorquiu:
- Que foi? Nunca viram?
Enquanto o Gui mandava e recebia bocas, todos se interpelavam a que se devia o semblante pensativo de Leonor.
- O que é que se passa, Leonor? – Questionou Afonso.
- Estou aqui a pensar se os republicanos, e todos os que neles acreditaram e os apoiaram no início faziam ideia do que se avizinhava num futuro próximo?! … Afinal, houve uma grande fragmentação partidária que gerou uma enorme e prolongada instabilidade política e governativa no país que, não só não conseguiu resolver parte do atraso estrutural do país, como contribuiu para agravar a crise económica e teve consequências sociais más para a sociedade. O aumento da criminalidade, da insegurança nas ruas e das greves e manifestações, entre outras, que tanto assustou a classe média, que a levou a apoiar o golpe militar de 1926 que, por sua vez, conduziu à instauração da ditadura do Estado Novo! – Pronunciou Leonor com uma entoação grave.
- Mas pensa em todas as boas mudanças que os republicanos causaram, a nível político, social e económico! Nunca ninguém se tinha lembrado da laicização do Estado ou de introduzir o divórcio na lei, por exemplo. Bela maneira de enfrentar a Igreja! – Clamou Toni num tom de voz de tamanha solenidade que todos ficaram espantados com a sua seriedade, nunca antes demonstrada assim.
- Exactamente! – Exclamou Bé, tentando entusiasmar Leonor. – Foram também eles que impuseram a medida da escolaridade obrigatória dos 7 aos 10 anos e que mandaram construir mais escolas, medida essa que contribuiu para a escolarização das pessoas da época, na maioria analfabetas.
Acabada a troca de insultos com os restantes passageiros, Gui interveio.
- Para a próxima que formos ao passado saímos no eclodir da 2° Guerra Mundial! Talvez possamos conversar com Hitler, de modo a deixá-lo perceber que ele tem um trauma de nascença!
Num momento de descontracção, todos se riram em uníssono numa ocasião que ficaria para sempre gravada no tempo e nas suas histórias!


Entrar